Reajuste de energia depende da variação cambial
texto de Marcelo Henriques de Brito emitido em 09 de abril de 2004 a partir de conteúdo no seu livro
"CRISE E PROSPERIDADE COMERCIAL, FINANCEIRA E POLÍTICA" (Probatus,
ISBN 85-89585-01-8)No Brasil, existe a expectativa de que as tarifas de serviços públicos sejam reajustadas por um índice de preços que seja similar ao índice usado para correção de salários e renda da maioria do empresariado nacional. Todavia, além de ser complexo e polêmico medir e monitorar a inflação, fatos observados no cotidiano sustentam a tese da importância da variação cambial para diversos reajustes de preços no Brasil.
Nesta primeira semana de abril de 2004, vários jornais publicaram que a variação cambial será usada para corrigir as tarifas de energia elétrica, tais como:
O conteúdo de todas essas matérias guardam relação com a matéria de Isabel Clemente e Janaina Vilella publicada pelo JORNAL DO BRASIL em 14 de abril de 2002 na página 19 com o título "No Rio, luz custa o triplo de Paris". Essa matéria foi citada no livro "Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política" (Probatus,ISBN 85-89585-01-8), lançado em 18 de fevereiro de 2004. É interessante notar como a história se repete ao consultar na página 34 do Capítulo 2 do referido livro o comentário sobre a matéria do JORNAL DO BRASIL de 2002. Segue o texto extraído do livro:
"A discussão em torno dos dados do Quadro 2.1-4 pode explicar a constatação do JORNAL DO BRASIL em 14 de abril de 2002 de que "a conta de luz aumentou acima da inflação" para cariocas e paulistas atendidos por concessionárias controladas por uma multinacional estatal francesa. A reportagem apresentou um gráfico que mostrava claramente o salto da conta de luz, especialmente após a desvalorização da moeda brasileira em 1999. Foi publicado que em 2001 os aumentos da tarifa da energia elétrica no Rio de Janeiro e em São Paulo foram respectivamente 20,59% e 16,61% contra uma taxa de inflação medida pelo IPCA de 7,67%. Até março de 2002, os reajustes da tarifa no Rio de Janeiro e em São Paulo foram respectivamente 4,64% e 3,94% contra uma inflação de 1,49%.
O princípio do índice iHdB [que é deduzido no livro citado] revela que um investidor estrangeiro pode ter interesse que seu faturamento no exterior seja corrigido pela variação cambial, cujo valor é distinto da inflação. Todavia, esta forma de reajustar preços, que nem sempre é sustentável para a renda da população de um país com desvalorizações cambiais, pode acarretar queda no faturamento pela redução no consumo e pelo aumento da inadimplência, além de gerar danos à imagem da corporação junto à opinião pública e formadores de opinião, que em geral consideram que tais reajustes seriam abusivos e poderiam ser evitados com redução de custos e ganhos de produtividade".
As matérias publicadas em 2002 e em 2004 (que têm respaldo teórico) mostram claramente que a variação da taxa de câmbio é um parâmetro muito mais importante do que a inflação na definição de preços. A variação cambial impacta igualmente os reajustes dos preços do sanduíche Big Mac do McDonald's, como também mostra o referido livro usando dados de uma longa série histórica da revista THE ECONOMIST para vários países. Um outro parágrafo na página 35 do livro "Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política" conclui:
"As notícias acima ilustram porque multinacionais, incluindo empresas estatais com ações negociadas em bolsas de valores internacionais que exploram recursos naturais ou que atuam na área de serviços públicos, não parecem vincular necessariamente reajustes de preços a taxas de inflação, mas, sim, à variação cambial, a qual é muito relevante para a atratividade de investimentos internacionais".
A variação cambial é também essencial para a determinação de taxas de juros (que na essência é o "custo" do dinheiro), fato que também é ressaltado no artigo de minha autoria com o título "O nível mínimo para as taxas de juros no Brasil", escrito em 23 de março de 2004 (
Consulte texto em www.probatus.com.br/MinJurosHTML_040323.htm).É plausível concluir que essa forma de reajustar preços e estabelecer taxas de juros fomenta a inflação, o que em algum momento dará ao governo brasileiro argumentos para não baixar as taxas de juros "por causa de pressões inflacionárias". Assim, fatos novos tendem a confirmar a pertinência do texto do livro "Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política" que mostra a relevância da variação cambial.
Sobre o livro
Além de apresentar o novo índice iHdB para avaliação de investimentos e a Equação Emissão-Inflação para identificar circunstâncias de deflação, inflação ou estagflação (inflação com recessão), o livro "CRISE E PROSPERIDADE COMERCIAL, FINANCEIRA E POLÍTICA" de Marcelo Henriques de Brito (Rio de Janeiro: Probatus,
ISBN 85-89585-01-8, www.probatus.com.br) traz várias discussões correlatas.O público-alvo desse livro é composto de pessoas interessadas em estabelecer os vínculos existentes entre finanças, atividades empresariais e política nacional e internacional.
A proposta deste livro, que decorreu de vivência, associada a um profundo estudo interdisciplinar de vários anos, é introduzir novos conceitos aplicáveis na vida cotidiana e apresentar, de forma sistêmica, aqueles conhecimentos dispersos em várias publicações.
Sobre o autor
Marcelo Henriques de Brito
é graduado em Administração pela Universidade Mackenzie (São Paulo) e em Engenharia pela UFRJ com doutorado pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne EPFL (Suíça). Recebeu o "Prêmio de Mérito Acadêmico em Administração" outorgado pelo Conselho Regional de Administração São Paulo (CRA-SP). Trabalhou para várias empresas, inclusive no exterior. Participa de associações de empresários e profissionais liberais e é membro do Conselho Diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Publicou o livro "Crise e Prosperidade Comercial, Financeira e Política" (Probatus,ISBN 85-89585-01-8).